10 de agosto de 2013

Die tote Kirche - Georg Trakl

Die tote Kirche

Auf dunklen Bänken sitzen sie gedrängt
Und heben die erloschenen Blicke auf
Zum Kreuz. Die Lichter schimmern wie verhängt,
Und trüb und wie verhängt das Wundenhaupt.
Der Weihrauch steigt aus güldenem Gefäß
Zur Höhe auf, hinsterbender Gesang
Verhaucht, und ungewiß und süß verdämmert
Wie heimgesucht der Raum. Der Priester schreitet
Vor den Altar; doch übt mit müdem Geist er
Die frommen Bräuche - ein jämmerlicher Spieler,
Vor schlechten Betern mit erstarrten Herzen,
In seelenlosem Spiel mit Brot und Wein.
Die Glocke klingt! Die Lichter flackern trüber -
Und bleicher, wie verhängt das Wundenhaupt!
Die Orgel rauscht! In toten Herzen schauert
Erinnerung auf! Ein blutend Schmerzensantlitz
Hüllt sich in Dunkelheit und die Verzweiflung
Starrt ihm aus vielen Augen nach ins Leere.
Und eine, die wie aller Stimmen klang,
Schluchut auf - indes das Grauen wuchs im Raum,
Das Todesgrauen wuchs: Erbarme dich unser - 
Herr!

Georg Trakl in: Sammlung 1909


A igreja morta

Sobre escuros bancos estão sentados aflitos
E levantam os olhares apagados para
A cruz. Os círios brilham qual velados,
E sombria e qual velada a face ensanguentada.
O incenso ascende de um vaso dourado
Às alturas, cântico moribundo
Embacia e incerto e doce faz anoitecer
Qual assombro, o salão. O padre caminha
Para o altar; mas com espírito fraco ele pratica
Os costumes sacros ─ miserável jogador,
Diante de maus fiéis de corações entorpecidos,
Num jogo desalmado de pão com vinho.
Toca o sino! Os círios vibram mais turvos ─
E mais apagada, como velada, a face ensanguentada.
O órgão murmura! Em corações mortos
Assombra a lembrança! Uma face sangrenta
Esconde-se no escuro e o desespero
Crava nela muitos olhos para o vazio.
Mas uma, que soa como todas as vozes,
Soluça ─ enquanto o horror crescia no salão,
O horror mortal crescia: Tende piedade de nós ─
Senhor!
Georg Trakl in: Sammlung 1909, tradução do alemão de Udo Baingo

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