9 de dezembro de 2011

Flor de hibisco

Flor de hibisco, pétalas rubras encobrindo-se,
Para dentro de si, que logo cai.
O silêncio de gente ao redor do fogo, torna-
se transcedental, alquimia.
O fruto no chão, coberto por poeira.


Flor de Hibisco - Foto por (C) Udo Baingo - Direitos reservados

À Zenite

À Zenite procurei Ursa Azul:
Fechei os olhos e tive um sonho.
Na esteira me deito e leio um livro.
O inverno tem dias lindos, quando se
Ouve um alô do outro lado
do mundo.
No escurecer do verão escrevo lamentos
esperançosos.
Há gente que passa ao lado do jardim,
parecem sussurrar mas na verdade apenas
conversam.
A noite perde sua escuridão em ondas.


(poema escrito em julho de 2003, achado em minhas anotações)

29 de novembro de 2011

Ranolfo

Ranolfo surtiu um comentário hilário
e se vestiu de sono
e abandonou o posto,
cheio de gasolina.

Ranolfo andou meio atrasado,
andou meio ocupado
pelos contornos doces
dos doces costumes.

Do corpo e lábio todo-poderoso
da sua maior quimera.


Arrancou uivos e
Cátedras.

E então se tornou sibarita
de adorno e plátano, berrou no interior
flácido do seu  ébrio cérebro ácido:

Foi aqui, relógio, que eu andei
o tempo todo, como ponteiro, segu-
rando as horas e repontando demoras.

24 de novembro de 2011

Poemas do mar

Navega um barco sozinho
Sozinho um barco navega
Ondinha precede
E sobrevê: o Mar saltita 
Como em milhões de tentáculos.
O sal do mar sorrapia.

O espírito de um barco
Ainda-vivo
Barco à vista
Barco em si - lêncio
Marca-se e prende-se ao papel
Do existente.

O barco gira, num devaneio eloquente, inesperado.

As ondas
Indo e vindo, 
Vêm e vão,
O barco impávido
Vai e desvai,
Esvai, 
Por fim, vira.

A deriva, tal qual pedra concreta, 
Permeia 
Ilhas de acontecimento -
É como o sumiço da tripulação
Fosse
Um navegar além.

21 de novembro de 2011

Inocência: Ciclo Ressurreição

Inocência: Ciclo Ressurreição: Nascimento No cume desta montanha eu sei que há uma videira Eu não sei porque eu quero uma vidente ou ver gente Eu quero mastigar a água sem...