29 de novembro de 2011

Ranolfo

Ranolfo surtiu um comentário hilário
e se vestiu de sono
e abandonou o posto,
cheio de gasolina.

Ranolfo andou meio atrasado,
andou meio ocupado
pelos contornos doces
dos doces costumes.

Do corpo e lábio todo-poderoso
da sua maior quimera.


Arrancou uivos e
Cátedras.

E então se tornou sibarita
de adorno e plátano, berrou no interior
flácido do seu  ébrio cérebro ácido:

Foi aqui, relógio, que eu andei
o tempo todo, como ponteiro, segu-
rando as horas e repontando demoras.

24 de novembro de 2011

Poemas do mar

Navega um barco sozinho
Sozinho um barco navega
Ondinha precede
E sobrevê: o Mar saltita 
Como em milhões de tentáculos.
O sal do mar sorrapia.

O espírito de um barco
Ainda-vivo
Barco à vista
Barco em si - lêncio
Marca-se e prende-se ao papel
Do existente.

O barco gira, num devaneio eloquente, inesperado.

As ondas
Indo e vindo, 
Vêm e vão,
O barco impávido
Vai e desvai,
Esvai, 
Por fim, vira.

A deriva, tal qual pedra concreta, 
Permeia 
Ilhas de acontecimento -
É como o sumiço da tripulação
Fosse
Um navegar além.

21 de novembro de 2011

Inocência: Ciclo Ressurreição

Inocência: Ciclo Ressurreição: Nascimento No cume desta montanha eu sei que há uma videira Eu não sei porque eu quero uma vidente ou ver gente Eu quero mastigar a água sem...

Ciclo Ressurreição


Nascimento
No cume desta montanha eu sei que há uma videira
Eu não sei porque eu quero uma vidente ou ver gente
Eu quero mastigar a água sem dentes
Preciso me sacrificar, dêem-me uma anestesia local,
Um alívio imediato, um tesão sem tato,
Sentado, cercado pela dor que eu sinto

 


Crescimento
No rosto úmido jaz asneiras de qualquer dipsomaníaco,
De qualquer dipsomaníaco, do jubeba na praia não sei se a água é pura
Eu só sei que eu mereço uma surra ou ruptura
Mas Nero pôs fogo em Roma sem fósforo, preciso me salvar,
Levem-me para uma academia, uma série a jato, um tesão com tato
De pé, dentro da dor que eu sinto

 


Lipograma do não-eu
Com o pólipo nasço saci, parir lipograma do saci,
Parir lipograma do mingo, sinto o gosto da mandioca com o som
Da sinfonia que já zás no Mozart o pimbo com o xxxxx xx xxxx
Socorro, massa do macarrão comido com a mão
Da dádiva do divã cínico psicólogo faz sair a minha sina,
As minhas lástimas, agachado, movido por dor vivida por mim

 


Ressurreição
Para a Polinésia eu vou, rever nipônicos olhos, americanizados ais
No pretume do africano eu quero me encontrar, eu só não sei porquê
Todo esse internacionalismo, eu quero mastigar todas as areias
Do mundo com meus dentes fortes, solidifico-me, viro um ser mineral,
Um frio contato,
Talvez uma frigidez, deitado, cercado pelo prazer que eu sinto


--- Os poemas e o Ciclo Ressurreição se encontram em meu livro Inocência. ---