22 de julho de 2011

Ploc

Come, sarei da min há vida, q é uma doença: come,
sarei de ser o homem q nunca fui.
Come, sarei da minha. É o horror em erro.

Se eu tivesse uma opinião, falaria - ou agiria.
Tenho-me a mim: fruta q nunca amadurece e q já está podre.
Mas a dor nunca é tão grande enquanto comandada.

Intolerante seria eu se estivesse aí com você,
ou se morasse num quarto sujo do século passado.

Minto?
Mente: bola de neve q aqui se derrete nessas falavras.
Soltaria um traque, se pudesse.
Um papel é uma celulose e o LSD é proibido - ouvi falar.
Não mandarteei (aqui a mesóclise rende) LSD na próxima carta porque na próxima carta ou antes, enquanto estiver colando/fechando o envelope co´a língua sem querer grudarseáon suficientes ou náon (não sabo) para me levar à ____________q eu não kiss.

Hoje me perdi, pra variar, em Frankfurt sobre o Meno, procurando o porra do Meno.
O Meno era o q procurava, de city-bike quase caída aos pedaços.
Se tu visses as construções desses salsichas frankfurtianos. É OberImBau!!
Me perdi, e parece de propósito, pois o risco da vida deve-se correr:
enche meu crânio de um PLOC q é indecifrável.
Descer até o portão 25 da Messe, não sei porquê, andar no meio dessas construções.

Enriquecerei foneticamente o texto: öüäïë.
E agora doutrarte:$$$$$$$$$$$$$$$.
Spanisch ist sehr gelenkig.
E las muchachas mucho más!

Escreveria um poema sobre o prazer de ouvir WEBERN na tua Cia. Concreta e uma coisa e outra q ca(p)to nos trópicos de minha memória de mosquito-baleia.
Onde começa o gato - pelo rabo ou pelo pênis? Alguém diria que é pelo MIAU.
Farei a caça mental ao queijo de Lindenburg!!

Tudo o q tenho, ponho aqui: quem ganha é o texto.
Infiltrarei o texto na virilha da literatura e do poema.
Um coito de rinocerontes! E mais um! A cada 3 minutos, esporra o macho.
Os homens tornam tudo impossível. Tu deves tornar o q escrevo compreensível, mas eu, aqui, não entendo.

As árvores crescem na primavera. Será que elas sentem, sentiram ou sentirão um desejo como o meu? Uma fome? Uma sede de ficar junto do poço, perdendo os sentidos, fazendo o poço secar dentro de mim, de tanta sede? Mais meu é o poço: ele não secará enquanto eu não secar.

E há cartas, há coisas como isso aqui: letras como estrelas no céu da noite clara.

4 de julho de 2011

Silêncio em cada ruído

Houvesse havido
Nenhuma noite
E nenhum dia,
Seria eu terra, céu ou sol;
O mundo estaria por vir
Ou já teria sido
Silêncio em cada ruído.

Das coisas sem partido,
Quase inconscientes
Em que uma criança crê
Ter-se, por entre, comprimido.

Houvesse havido
Uma montanha,
Tudo plano
Seria eu corpo, fogo ou água;
Absurdo estaria por vir
Ou já teria sido
Silêncio em cada ruído.

*poema de 1995, escrito em Offenbach, Alemanha, Udo Baingo

2 de julho de 2011

Outra rotina

Outra rotina
Quase retina
Ave
Á(r)v(or)e retida
No vôo (Estrutura pescando)
(As estrelas não voam?)
Do consolo
A nave
Se fez trave
Do desgosto
Esqueci
de me esquecer.
Do calcanhar ao mar
Piso e logo nado
E volto contigo
E sem mim.

(Poema inédito por Udo Baingo)

29 de junho de 2011

Poema da coisa só

Este é o poema da coisa por si só,
Da coisa deste poema, que sem este
Só seria só, tão só e ignorada,
Que nem seria.

Mas tinha este poema,
O poema da coisa por si só,
Então valia à pena ser,
Só pela aventura e a cena que se cria.

Ora, assim como uma nuvem existe de
Brancura, existe o poema da coisa só
Só de sua alvura entretente, irrepelente.

Assim sendo, vai-se
Pouco a pouco sendo
E aí já era
E todo mundo estava à parte.

Pois assim mesmo, a esmo,
É o poema da coisa por si só:
Só é assim e pronto,
Não preciso explicar.
E ponto.

(Versão nova de um poema que se encontra no meu livro Inocência)

8 de junho de 2011

O livro

Era uma noite de sexta-feira, uma noite de dia. Uma noite, porque foi como Natal para mim. Embora o calendário marcasse o dia 25 de março. Era o dia do lançamento de meu livro Inocência. Foi assim.

Saí pela porta do quarto que um amigo ofereceu para nossa, minha e de minha namorada, estadia de 6 dias. Havíamos chegado dia 21 de Florianópolis, com a ajuda de um amigo que nos levou ao aeroporto, depois de termos chegado de ônibus do interior daquele belo estado.

Faltavam duas horas para o lançamento. Chamei um táxi, mas o serviço de táxi do primeiro número disse que ligaria 10 minutos antes da hora marcada a fim de confirmar o serviço. Achei incomum, os táxis da Alemanha chegam no lugar marcado e na hora marcada, muitas vezes com cinco minutos de adiantamento. Liguei para outro serviço de táxi e um Senhor atendeu como que saído de sua siesta da tarde dizendo "han". Questionado se ele era o táxi, ele respondeu que era de outro serviço.

Dez minutos antes, como esperado, nada aconteceu: o primeiro serviço não ligou e eu, pronto para o lançamento, me joguei pelas ruas da Glória, com minha namorada a tiracolo. Ela que já tinha ficado à espera do táxi no saguão.

Na correria esqueci de filmar a noite. Coisas de quem leva e prepara tudo, embala o presente, mas esquece de tirar a foto na hora da entrega.

Inocência, o livro, feito com uma elaboração e diagramação de bom gosto é um livro pequeno, cabe no bolso da jaqueta. E você pode comprá-lo no site da Editora Multifoco.