Então desça, titânico rapaz,
Desperte a tua desejada, a adormecida!
Anda cá abaixo e cinge
Com pétalas delicadas a sonhosa cabeça.
Acende o inquieto céu com facho ardente,
Que as estrelas empalidecidas dançando soem
E os véus voadores da noite
Ao alto chamejando desvaneçam,
Que se pulverizem as ciclópicas nuvens,
Nas quais o inverno, fugindo da Terra,
Ainda a bradar ameaças faz com chuvas gélidas,
E os longes celestes em pureza radiante se abram.
Se acaso adentrares, ó maravilhoso, a juba esvoaçante,
À Terra abaixo, acolhe num silêncio sagrado
Ela o noivo bramante, e tremendo em calafrios profundos
Por este teu tão inquieto amplexo tempestuoso,
O seu sagrado colo a ti ela abre.
E um docíssimo sabor à extática lhe vem,
Quando tu, candente de pétalas, acordas
Sua vida fecunda, cujo nobre passado
Mais nobre futuro impele,
E a ti se iguala, como tu a ti mesmo te igualas,
Com o que, à tua vontade rendida, ó sempre vivaz,
Nela um eterno enigma
Em nobre beleza novamente no futuro se reitera.
Georg Trakl in: Gedichte, Sonstige Veröffentlichungen zu Lebzeiten ─ tradução do alemão por Udo Baingo
27 de setembro de 2013
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