20 de setembro de 2010

Não sei

Não sei da nossa.
Verdade!
Não sei da nossa verdade.
Vamos limpar o tabuleiro,
venha mais vento, mais chuva, mais sol,
mais você, e eu não tenha-me esquecido,
ou talvez até sim, por que não?
Ah, será que esquecerei?
Esqueça-me agora, adoeci, meu corpo-carne,
meu ser ou não ser não sendo sempre
outros, e de quem eu precisava, acabei de sair
da distância, do imerso, entrei em outra,
no verso

5 de setembro de 2010

PEGUE ÀS CINCO

Naquele cruzamento a direção
Poderá faltar a qualquer rã
Com a lanterna apontada para o céu
Capturando insetos
Que pegam ônibus às cinco.
E às cinco os lábios serão
Mais vermelhos e ásperos,
Enquanto que seus cabelos
Mais quentes e perfumados;
Minha mão, mais trêmula...
Sua pele, mais branca,
O adeus, mais brando e
O caminho, mais acinzentado.
Pegue às cinco a mão,
Os lábios e o ônibus.