2 de novembro de 2013

A morte

As formigas migraram na minguante
Enquanto você descia pela tangente.
O caminhão apareceu
E você desapareceu.
O perfume da mirra e do incenso
Foram pouco para tão curto tempo:
Os pneus do caminhão repartiram
O grupo de formigas emigrantes, imigrantes
Nesse mundo errante, onde você e
Todos aqueles não imaginam estar
Tudo é fim, a dor é o tic-tac do relógio
E o prazer é qualquer coisa que você queira.
E os leigos continuam querendo dar
Continuidade ao suspiro incontínuo
E autodidatas automobilizados decifram
Depois de serem por todo devorados.
E a discoteca toca teca toca teca,
Bum tistú tistú tistú tistú tistú Bum
Bum tistú tistú tistú tistú tistú Bum
Bum diz tudo diz tudo, diz que tu BUM.
A morte e a sorte do oriente do oriente que foi
O que eu vi quando o quando não existiu.
E quando me lembro que a lembrança
É a lembrança da lembrança que dança...

Udo Baingo, Inocência, 2011, Editora Multifoco