Os nervos puxam os versos que puxam o olhar
que puxa a caneta que se fixa entre os dedos e que tenta furar o olho da verdade
sei que sei que a mão esquerda não serve tanto quanto a direita pra comer maçã,
mas a boca, maçã, mas a boca, mascarada de maçã quer te beijar mais do que
ontem não quer falar mais do que nada quer conter tua língua no espaço
preenchido pela casca e pela massa da maçã que vou jogar no lixo ou o que
sobrar desta fruta e que vai se decompor assim como eu não quero que aconteça
com o amor que eu senti sinto ou que eu sinta ainda quando eu não estiver apto
para te reconhecer no meio do ônibus quando partiste e eu quis me matar para
não sentir o vazio do ar dentro da boca oca eu queria a tua boca louca vermelha e
sem rimas e na minha caixa bate a essência do teu olhar fragância da brancura da
tua pele que mostrou a bravura de um camicaze contra uma nuvem