8 de outubro de 2009

Tu

experimentar queria
cantar um dia
mais alto que o bem te vi

mas nos dias pobres de pátio
me acordaste
com cócegas
e eu me enrolei
até cair
alice no país das maravilhas
como só eu sou eu

sempre que penso em ti,
me vêm os dias de uma época longe

cumpri um caminho
que depois
voltarias tu

nao sei onde me perdi
nesse arrebol
naquela viagem
no lodo do passado

mas é tão bom que saibas
que este canto completas
com teu ser

caminho de um filho

serelepe filho
lambendo seus lábios
uma flor carrega
pequeno terreno

sabe precisar
ter balanço colo
relaxar no ar
qual índio na rede

e eu, que nunca vi o dia
sem sentir a noite
que quer que faça

o que posso fazer se
o carinho me quis reto
e eu me verti em caminho sinuoso

5 de março de 2009

No terraço da Casa Mário Quintana

No terraço da Casa Mário Quintana
Ela é melancólica
E do parapeito pergunta:
Passeamos no gasômetro?,
Há uma exposição de arte ali.
Aceito e vamos.

Mostra-se nervosa e
Diz algo muito triste
Enquanto caminhamos pelo hall.
Sinto-me mal, mas disfarço bem.

Enquanto o guia
Me explica algo, ela me fita.
Faço minhas questões
E afirmações despreocupado.
Ela me beija.

Saímos ao Guaíba.
O vento lavrava pensamentos refrescantes.
Sua boca exige que eu assine,
Mesmo com um clip,
A rifa dos cegos que comprei -

Hoje ainda esses cegos olham
Por ela para mim
E por mim para ela,
Numa ciranda de imagens.